O recente tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já começa a ecoar fortemente na economia do Paraná, um dos estados mais dependentes das exportações para o mercado americano. Setores estratégicos, especialmente o madeireiro e o de pescados, já sentem os impactos negativos, com redução da produção e adoção de medidas emergenciais como férias coletivas para preservar empregos. A tensão cresce diante da vigência da sobretaxa de 50%, prevista para entrar em vigor no início de agosto, que pode agravar ainda mais a situação.
No Paraná, o setor madeireiro é particularmente vulnerável ao tarifaço dos EUA, uma vez que grande parte de sua produção tem destino certo para o mercado norte-americano. No primeiro semestre de 2025, as exportações do segmento alcançaram cifras expressivas, com destaque para madeira de coníferas perfiladas que chegam a 98,35% das vendas direcionadas aos EUA. Essa concentração expõe o setor a riscos elevados diante da imposição da tarifa, que já provocou a suspensão de operações e planos de férias coletivas em fábricas importantes do estado.
Empresas como a BrasPine, com unidades em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, adotaram medidas imediatas para conter os impactos financeiros, suspendendo temporariamente as atividades de parte do seu quadro funcional. A decisão, segundo a empresa, visa ajustar a capacidade produtiva diante da nova realidade imposta pelo tarifaço, que incide principalmente sobre a produção de molduras e pellets exportados aos EUA. A Millpar, sediada em Guarapuava, seguiu caminho similar, suspendendo as operações para 60% de seus funcionários temporários, diante da dependência quase total do mercado americano.
Além do setor madeireiro, a piscicultura paranaense também sofre com o aumento da tarifa. O Paraná é o maior exportador de tilápia no Brasil, com aproximadamente 70% da produção nacional e grande parte das vendas destinadas aos Estados Unidos. Em 2024, foram exportadas mais de sete mil toneladas do pescado para os EUA, e a sobretaxa americana ameaça interromper essa expansão, afetando diretamente a economia de cidades como Nova Aurora, Palotina e Assis Chateaubriand, que dependem fortemente da cadeia produtiva do pescado.
O impacto do tarifaço de Trump no Paraná não se limita ao setor madeireiro e de pescado, atingindo uma série de outros segmentos que, juntos, somam bilhões em exportações para os Estados Unidos. Produtos como portas e caixilhos, painéis para soalhos e gorduras animais também estão entre os mais afetados. A concentração das exportações para o mercado americano revela a vulnerabilidade da economia paranaense diante de políticas tarifárias agressivas e inesperadas, que dificultam o planejamento estratégico das empresas.
A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal alertou para o risco de desemprego em massa e queda na arrecadação estadual, destacando que o tarifaço pegou o setor desprevenido. O governador Ratinho Junior reconheceu o desconforto causado pela medida, mas demonstrou esperança na negociação diplomática e no bom senso entre os governos para minimizar os danos. No entanto, a pressão é grande para que o governo federal atue rapidamente e encontre soluções que protejam a economia do Paraná.
Em nível nacional, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada também mostrou preocupação com a paralisação de contratos e cancelamento de embarques para os EUA. Com milhares de contêineres já posicionados em portos, a incerteza sobre a continuidade das operações comerciais preocupa empresários e trabalhadores, que veem o tarifaço como um grave obstáculo para a estabilidade do setor. A busca por alternativas e negociações urgentes é a prioridade para manter empregos e produção.
Por fim, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros expõe a dependência do Paraná do mercado externo e reforça a necessidade de diversificação e fortalecimento da economia local. A palavra-chave “setores estratégicos da economia do Paraná começam a sentir efeitos do tarifaço de Trump” sintetiza o momento delicado enfrentado pelo estado, que precisa reagir com urgência para preservar sua produção, empregos e participação no comércio internacional, garantindo um futuro menos incerto para sua população e empresas.
Autor: Vera Dorth

