Os cuidados paliativos representam uma das fronteiras mais desafiadoras e mais humanas da medicina. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, frisa que todo idoso merece atravessar as fases mais delicadas da vida com suporte, dignidade e acolhimento.
Eles existem para garantir que pessoas com doenças graves ou em fase avançada da vida recebam atenção voltada ao conforto, à dignidade e à qualidade de vida, e não apenas ao prolongamento artificial da existência. Neste artigo, você vai entender o que são os cuidados paliativos, por que eles são fundamentais no contexto geriátrico e como a humanização transforma essa experiência para o paciente e para a família.
O que são cuidados paliativos e quando se aplicam ao idoso?
Os cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado centrada no alívio do sofrimento e na promoção da qualidade de vida de pacientes com doenças que ameaçam a continuidade da vida. Ao contrário do que muitos pensam, eles não são exclusivos das fases terminais. Podem e devem ser iniciados desde o diagnóstico de uma condição grave, complementando os tratamentos curativos e garantindo que a qualidade de vida do paciente seja preservada em todas as etapas do processo.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, o idoso é o paciente que mais se beneficia dos cuidados paliativos, precisamente porque é o que mais frequentemente vive com múltiplas doenças crônicas que causam sofrimento físico e emocional prolongado. Reconhecer que esses pacientes têm direito a alívio do sofrimento é um princípio ético fundamental da medicina geriátrica.
Como a humanização transforma a experiência dos cuidados paliativos?
A humanização nos cuidados paliativos é a essência dele. No momento em que o objetivo passa a ser cuidar do idoso, a qualidade humana do atendimento torna-se o principal instrumento terapêutico disponível.
De acordo com o fundador do projeto social Humaniza Sertão, a humanização nos cuidados paliativos começa pelo respeito absoluto pela autonomia do paciente. O idoso em fase avançada de doença tem o direito de participar das decisões sobre seu próprio cuidado, de expressar seus valores e preferências e de escolher como deseja atravessar essa fase da vida. Respeitar essa autonomia é uma das formas mais profundas de dignidade que a medicina pode oferecer.
Ademais, Yuri Silva Portela esclarece que a comunicação honesta e compassiva é outro elemento central da humanização paliativa. Falar sobre o prognóstico, sobre as opções disponíveis e sobre o que pode ser esperado requer sensibilidade, clareza e coragem. Muitos profissionais de saúde evitam essas conversas por desconforto próprio, privando o paciente e a família de informações que são fundamentais para que possam se preparar e tomar decisões conscientes.
Quais profissionais participam dos cuidados paliativos geriátricos?
O sofrimento que os cuidados paliativos buscam aliviar tem dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais que nenhuma especialidade isolada consegue abordar completamente. Por isso, equipes bem estruturadas de cuidados paliativos reúnem profissionais de diferentes áreas que atuam de forma coordenada em torno do bem-estar do paciente e da família.

No contexto do Humaniza Sertão, essa lógica interdisciplinar já está incorporada ao modelo de atuação do projeto. Psicólogos que oferecem suporte emocional, nutricionistas que adaptam a alimentação às necessidades de conforto do paciente, fisioterapeutas que trabalham o controle de dor e a manutenção da funcionalidade e advogados que orientam sobre questões legais relacionadas ao fim de vida são todos contribuições valiosas para um cuidado paliativo que respeita a integralidade do ser humano.
Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, a presença de profissionais de saúde mental é especialmente importante no contexto dos cuidados paliativos. O medo da morte, a angústia existencial, o luto antecipatório e a elaboração de uma vida que se aproxima do fim são dimensões que exigem acompanhamento especializado e espaço de escuta qualificada. Oferecer esse suporte é um ato de cuidado que tem impacto profundo sobre a dignidade do idoso.
Como as famílias podem se preparar para acompanhar um idoso em cuidados paliativos?
O suporte à família é parte integrante dos cuidados paliativos e tem impacto profundo sobre a qualidade do cuidado oferecido ao paciente. Yuri Silva Portela evidencia que acompanhar um familiar idoso em cuidados paliativos é uma das experiências mais intensas e transformadoras que uma família pode vivenciar. Ela exige equilíbrio emocional, capacidade de comunicação, disposição para estar presente no desconforto e, muitas vezes, a coragem de tomar decisões difíceis em nome de quem não pode mais fazê-lo por si mesmo. Nenhuma família está completamente preparada para isso, mas buscar suporte especializado é um passo fundamental.
O primeiro passo é a comunicação aberta e honesta dentro da família sobre os valores e os desejos do idoso em relação ao seu cuidado. Conversas sobre o que ele considera qualidade de vida, quais intervenções deseja ou não são fundamentais. À medida que essas preferências são conhecidas, as decisões difíceis tornam-se menos angustiantes porque são guiadas pelos próprios valores do paciente.
Dignidade nos últimos momentos de vida é fundamental
Os cuidados paliativos são sobre garantir que cada fase da vida, incluindo a mais delicada, seja vivida com o máximo de conforto, dignidade e significado possível. Essa é uma das formas mais profundas de cuidado que a medicina pode oferecer, e ela começa com a decisão de colocar o ser humano no centro de cada decisão terapêutica.
A prática do doutor Yuri Silva Portela e o projeto Humaniza Sertão são expressões concretas desse compromisso com a dignidade humana em todas as fases da vida. Da prevenção ao cuidado paliativo, a missão permanece a mesma: oferecer ao idoso o melhor cuidado possível, com humanidade.
Se você tem um familiar que pode se beneficiar de cuidados paliativos, converse com um geriatra especializado. O conforto e a dignidade no fim da vida são direitos, e buscá-los é um ato de amor que faz toda a diferença.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

