Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, é um dos profissionais do setor de dutos que melhor compreende os condicionantes técnicos e regulatórios de travessias em pontos de cruzamento com infraestruturas de transporte. As travessias ferroviárias e rodoviárias representam pontos de atenção especial na gestão da integridade de gasodutos e oleodutos, combinando carregamentos cíclicos sobre o duto, restrições de acesso para manutenção e exigências normativas distintas das aplicáveis a trechos convencionais. A concentração de riscos nesses pontos justifica um nível de detalhamento técnico que vai além do padrão adotado no restante da linha.
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Carregamentos específicos e mecanismos de falha em travessias de transporte
As travessias sob rodovias e ferrovias submetem o duto a carregamentos dinâmicos gerados pelo tráfego de veículos e composições. Esses carregamentos se somam à pressão interna do fluido transportado e às variações térmicas, criando um estado de solicitação mais complexo do que o encontrado em trechos livres. Entretanto, o principal mecanismo de falha nessas localizações não é a ruptura instantânea por sobrecarga, mas a fadiga acumulada ao longo de ciclos repetidos de carregamento ao longo dos anos de operação.
A profundidade de cobertura do duto abaixo da superfície de rolamento é um dos parâmetros críticos definidos pela normatização aplicável. Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que valores mínimos de cobertura são estabelecidos em função do tipo de tráfego esperado, do diâmetro do duto e das características do solo. O não cumprimento desses critérios aumenta significativamente a tensão cíclica a que o duto é submetido, reduzindo a vida útil das juntas soldadas nas proximidades da travessia.
Exigências normativas e o papel das autoridades concedentes
As travessias de dutos sob rodovias e ferrovias são reguladas por normas técnicas específicas e sujeitas à aprovação das autoridades concedentes das infraestruturas de transporte. No Brasil, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e as concessionárias rodoviárias e ferroviárias estabelecem requisitos de projeto, construção e monitoramento para autorizar a execução dessas obras. Desse modo, o processo de aprovação pode se tornar uma variável de prazo relevante no cronograma de projetos que envolvam múltiplas travessias.

Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que a antecipação dessas aprovações, iniciando o processo junto às autoridades competentes ainda na fase de projeto básico, é uma das medidas mais eficazes para reduzir o impacto dessas exigências sobre o prazo de execução. Cada semana de atraso na obtenção de autorização para uma travessia pode afetar o ritmo de toda a frente de obra associada.
Soluções técnicas para travessias em pontos críticos
A instalação de dutos em travessias de alta criticidade frequentemente envolve o uso de encamisamento, que consiste em um tubo de maior diâmetro por onde o duto de processo é lançado. O espaço anular entre os dois tubos permite a detecção de vazamentos antes que o produto chegue à superfície ou contamine o solo. Sob a perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o encamisamento é uma solução consolidada que, embora não elimine todos os riscos, oferece uma camada adicional de proteção em locais onde o acesso para inspeção é limitado pela presença das infraestruturas de transporte.
Em contrapartida, o direcionamento horizontal controlado, que permite instalar o duto por perfuração direcional sem interromper a superfície, tornou-se uma alternativa cada vez mais adotada. Essa técnica elimina a necessidade de abertura de vala e reduz os riscos associados à execução em áreas com tráfego intenso.
Monitoramento de longo prazo e gestão da integridade em travessias
A gestão da integridade em travessias de transporte exige programas de monitoramento com maior frequência do que a aplicada a trechos convencionais. A combinação entre inspeção por ferramentas internas instrumentadas e monitoramento externo com sensores de deformação permite identificar precocemente qualquer comprometimento estrutural nessas localizações. Por fim, Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que o investimento em monitoramento contínuo nesse tipo de ponto crítico se justifica pela redução expressiva do risco de incidentes com consequências ambientais e operacionais severas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

