Sistema de bloqueio em cascata já rastreia dinheiro roubado em várias contas; saiba como reconhecer os golpes mais comuns do ano e proteger sua conta
O Pix se tornou parte do dia a dia de praticamente todo brasileiro que tem uma conta bancária, e essa popularidade trouxe um efeito colateral incômodo: o sistema também passou a ser o principal alvo do crime digital no país. Levantamentos da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor mostram que, somente entre janeiro e setembro de 2025, foram registradas 28 milhões de fraudes envolvendo transferências instantâneas, e o episódio mais grave do período foi o ataque à C&M Software, que resultou no desvio estimado de pelo menos R$ 800 milhões segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação sobre golpes que somaram R$ 4,94 bilhões em perdas apenas em 2024. Diante desse cenário, o Banco Central decidiu reforçar as regras de proteção ao usuário em 2026, com mudanças que alteram a forma como bancos e fintechs lidam com transferências suspeitas. SEGS
A principal novidade chama-se MED 2.0, uma atualização do Mecanismo Especial de Devolução que passou a valer a partir de 2 de fevereiro de 2026. Antes, o bloqueio de valores só funcionava se o dinheiro ainda estivesse na primeira conta do golpista; agora, o Banco Central consegue seguir a trilha do dinheiro mesmo depois de várias transferências, além de permitir o congelamento simultâneo em múltiplas contas usadas no golpe. Na prática, isso eleva as chances de recuperação de valores desviados em casos como sequestro relâmpago, invasão de conta e falsas vendas pela internet, situações em que o golpista costumava movimentar o dinheiro rapidamente para dificultar o rastreamento. FDR
O que mudou na prática para quem usa o Pix todos os dias
Além do rastreamento em cadeia, o Banco Central passou a autorizar bloqueios preventivos quando uma instituição identifica movimentação considerada suspeita. Nesses casos, o valor recebido pode ficar retido por até três dias, tempo usado pelo banco para analisar se realmente houve fraude antes de liberar o dinheiro ao destinatário. Se a irregularidade for confirmada, o valor pode ser devolvido à vítima; se não houver indícios de golpe, a transferência segue seu curso normal. A medida também obriga bancos e fintechs a oferecerem canais mais rápidos de contestação, muitos deles já acessíveis diretamente pelo aplicativo, sem necessidade de ligação para a central de atendimento. TNH1
Outra ferramenta que ganhou espaço é o BC Protege+, lançado em dezembro de 2025, que permite ao usuário acompanhar e bloquear chaves Pix vinculadas ao próprio CPF através do Registrato, sistema do Banco Central que reúne o histórico de vínculos financeiros de cada pessoa. Consultar essa ferramenta periodicamente tem sido recomendado como um hábito simples de segurança, já que muitas fraudes começam com a criação de chaves Pix não autorizadas em nome da vítima. As transações feitas em aparelhos não cadastrados também seguem com limite de R$ 200 por operação e R$ 1.000 por dia, uma barreira pensada especificamente para dificultar o uso indevido de contas invadidas.
Os golpes que mais preocupam o Banco Central em 2026
Entre as fraudes que ganharam força neste ano, uma das mais discutidas é o golpe do Pix agendado. Nele, o estelionatário inicia uma transferência e escolhe uma data futura para a efetivação do pagamento, enviando à vítima um comprovante de agendamento acompanhado de mensagens insistentes para que a negociação seja concluída imediatamente, como se o valor já estivesse garantido. O problema é que muitas pessoas ainda não diferenciam um comprovante de Pix concluído de um comprovante de Pix apenas programado, já que a aparência dos dois documentos costuma ser parecida em diversos aplicativos. Esse tipo de confusão tem sido especialmente comum em vendas informais e negociações feitas por redes sociais. Uai
Especialistas em segurança digital também chamam atenção para o uso crescente de inteligência artificial nas fraudes. Deepfakes que simulam vozes ou vídeos de familiares pedindo dinheiro com urgência, além de conteúdos falsos atribuídos a autoridades anunciando supostas taxações do Pix, têm circulado com uma qualidade cada vez mais difícil de identificar a olho nu. A avaliação de especialistas em cibersegurança é que a inteligência artificial potencializa a engenharia social usada pelos criminosos, tornando o convencimento da vítima mais rápido e mais preciso, o que exige atenção redobrada antes de qualquer transferência feita sob pressão emocional.
Como se proteger sem abrir mão da praticidade do Pix
A recomendação mais repetida por especialistas continua sendo simples: nunca confirmar um pagamento apenas com base em um comprovante enviado pelo remetente, e sempre verificar pedidos urgentes de dinheiro por um canal alternativo antes de agir. Ativar a autenticação em duas etapas, evitar usar o aplicativo do banco em celulares ou computadores de terceiros e consultar o Registrato de tempos em tempos são passos que custam pouco tempo e reduzem bastante o risco de cair em uma fraude. Vale lembrar que golpe não é sinônimo de ingenuidade: os criminosos não miram o conhecimento técnico da vítima, e sim suas emoções, principalmente em situações de urgência ou medo.
Se, ainda assim, o golpe acontecer, o caminho é agir rápido e acionar o MED pelo aplicativo do próprio banco, já que o novo sistema de bloqueio em cascata aumenta a chance de recuperação enquanto ainda houver saldo disponível na conta do golpista. Denunciar a ocorrência à Polícia Civil e registrar boletim de ocorrência também ajuda a compor o histórico de fraudes usado pelas instituições para identificar contas reincidentes. O Pix continua sendo uma ferramenta segura e eficiente para o dia a dia financeiro do brasileiro, mas as regras de 2026 deixam claro que a proteção do dinheiro depende tanto da tecnologia do sistema quanto do comportamento de quem está do outro lado da tela.
Fontes consultadas: https://fdr.com.br/tendencias/golpes-com-pix-em-2026-banco-central-explica-os-riscos-e-o-que-muda-no-med-2-0/ | https://www.tnh1.com.br/variedades/alerta-geral-do-banco-central-para-todos-os-brasileiros-com-chave-pix-valida-em-2026/ | https://www.uai.com.br/uainoticias/2026/01/14/banco-central-alerta-brasileiros-do-golpe-do-pix-agendado-que-ja-fez-milhares-de-vitimas-em-2026/ | https://www.segs.com.br/mais/economia/443503-o-que-voce-precisa-saber-para-nao-cair-em-golpes-com-pix-em-2026 | https://securityleaders.com.br/golpes-com-pix-devem-se-tornar-mais-sofisticados-em-2026-impulsionados-por-ia-e-engenharia-social/

