Pós-graduado em geriatria, o Doutor Yuri Silva Portela atua em uma área da saúde que está passando por mudanças com o avanço da inteligência artificial. No campo da geriatria, as aplicações dessas tecnologias assumem importância porque o envelhecimento engloba diferentes condições clínicas, tratamentos medicamentosos, necessidades funcionais e fatores sociais que exigem uma análise integrada.
Saiba mais a seguir!
Como a inteligência artificial pode organizar informações? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
Um dos possíveis usos da inteligência artificial na geriatria está na organização de grandes volumes de informações. Registros clínicos, resultados de exames, histórico de medicamentos e dados acompanhados ao longo do tempo podem formar um conjunto complexo para análise. Sistemas computacionais podem auxiliar na identificação de padrões e na apresentação dessas informações de maneira mais estruturada.
Esse apoio pode ser especialmente relevante quando existem múltiplos fatores envolvidos no acompanhamento de uma pessoa idosa. Em vez de analisar cada informação de forma isolada, ferramentas digitais podem ajudar a reunir elementos que precisam ser considerados conjuntamente. A tecnologia, nesse cenário, funciona como suporte à interpretação profissional, e não como substituta do raciocínio clínico.
Tal como demonstra o Doutor Yuri Silva Portela, a aplicação desses recursos precisa permanecer vinculada às necessidades concretas de cada pessoa. Uma ferramenta pode apontar informações relevantes, mas a decisão sobre o significado desses dados depende do contexto. Idade, funcionalidade, rotina, preferências e condições individuais continuam sendo fundamentais para definir uma estratégia de cuidado.
Onde a tecnologia pode apoiar a personalização?
O Doutor Yuri Silva Portela destaca que o cuidado personalizado parte da compreensão de que duas pessoas com a mesma idade podem apresentar necessidades completamente diferentes. Uma pode preservar ampla independência, enquanto outra pode precisar de apoio para atividades cotidianas. A inteligência artificial pode contribuir para organizar dados capazes de evidenciar essas diferenças e auxiliar no acompanhamento de mudanças ao longo do tempo.

Outra possibilidade está no monitoramento de determinados indicadores. Dependendo da ferramenta utilizada e da finalidade do acompanhamento, dados relacionados à atividade física, sono ou rotina podem ser registrados e analisados. Alterações persistentes nesses padrões podem servir como sinais para uma avaliação mais cuidadosa, desde que interpretadas por profissionais e dentro dos limites da tecnologia empregada.
Por que a tecnologia não substitui o cuidado humano?
A inteligência artificial consegue processar informações em grande velocidade, mas não reproduz integralmente a complexidade de uma consulta geriátrica. Conversar com a pessoa idosa permite compreender aspectos que dificilmente aparecem em um banco de dados, como preocupações, preferências, dificuldades familiares, mudanças na rotina e expectativas em relação ao próprio tratamento. Essas informações podem modificar a compreensão sobre determinada situação e ajudar a direcionar o cuidado de acordo com as necessidades individuais.
Essa dimensão humana também é importante para evitar decisões baseadas exclusivamente em indicadores. Um determinado dado pode parecer preocupante isoladamente e ter outra interpretação quando relacionado ao cotidiano do paciente. Da mesma forma, uma mudança considerada pequena por um sistema pode representar uma alteração importante para alguém que conheça sua rotina. A interpretação adequada depende, portanto, da combinação entre os dados disponíveis e as informações obtidas durante o contato direto com a pessoa.
A experiência do Doutor Yuri Silva Portela em geriatria reforça a importância de manter a tecnologia dentro de uma estrutura de cuidado centrada na pessoa. A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de organizar e interpretar informações, mas cabe ao profissional avaliar o contexto, conversar com o paciente e definir, com responsabilidade, quais caminhos fazem sentido. O recurso tecnológico deve atuar como apoio ao cuidado, preservando a avaliação profissional e a participação da pessoa idosa nas decisões relacionadas à sua saúde.

