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Início » Empresas que ignoram o custo do dinheiro pagam caro depois
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Empresas que ignoram o custo do dinheiro pagam caro depois

Riku HanamoriPor Riku Hanamori22 de setembro de 20264 Mins de leitura
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Pedro Daniel Magalhães
Pedro Daniel Magalhães
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Entre os principais desafios da gestão financeira está medir corretamente quanto custa o dinheiro que sustenta as operações de uma empresa. Pedro Daniel Magalhães comenta que ignorar esse cálculo leva companhias a aprovar projetos que parecem lucrativos no papel, mas que, na prática, destroem valor ao longo do tempo. Não se trata apenas da taxa cobrada por um banco, mas do retorno mínimo que todo capital precisa gerar para se justificar.

O custo de capital é a taxa mínima de retorno que um investimento precisa alcançar para compensar quem forneceu o dinheiro, seja um banco, um fornecedor ou o próprio dono do negócio. Quando o retorno de um projeto fica abaixo dessa taxa, a empresa perde valor, mesmo registrando lucro contábil, porque o capital empregado ali renderia mais em outra aplicação.

Por que o custo do dinheiro é maior do que a taxa de juros?

O custo de capital de uma empresa, segundo Pedro Daniel Magalhães, combina duas fontes distintas, o custo da dívida, ligado aos juros pagos a bancos e credores, e o custo do capital próprio, que reflete o retorno exigido pelos sócios pelo risco de investir naquele negócio. Poucas empresas colocam as duas pontas na mesma conta ao avaliar um projeto novo.

A média ponderada entre essas duas taxas, calculada conforme a proporção de dívida e de capital próprio na estrutura de uma empresa, forma o que o mercado chama de custo médio ponderado de capital. O resultado dessa conta se torna a régua usada para decidir se um projeto realmente compensa antes de qualquer investimento.

O que acontece quando esse cálculo é ignorado?

Empresas sem essa régua tendem a aprovar projetos pelo critério errado, comparando apenas o lucro esperado com o custo do empréstimo tomado para financiá-lo, como ressalta Pedro Magalhães. Uma comparação desse tipo esconde o custo do capital próprio, que também precisa ser remunerado, mesmo quando não aparece em nenhuma parcela mensal.

Pedro Daniel Magalhães
Pedro Daniel Magalhães

O resultado costuma aparecer meses ou anos depois, quando o caixa da empresa fica mais apertado do que o esperado, mesmo com vendas e lucro contábil em linha com o planejado. Nesse ponto, corrigir a rota custa mais caro do que teria custado calcular o retorno mínimo exigido antes de começar o projeto.

Como a taxa mínima de atratividade orienta uma decisão?

A taxa mínima de atratividade é o patamar de retorno abaixo do qual nenhum projeto deveria ser aprovado dentro de uma empresa. Ela costuma partir do custo de capital e soma um adicional que reflete o risco específico de cada operação avaliada.

Projetos com fluxo de caixa mais incerto, a exemplo do lançamento de um produto novo, exigem uma taxa mínima mais alta do que a simples renovação de uma máquina já testada. Ignorar essa diferença, examina Pedro Daniel Magalhães, faz com que iniciativas arriscadas pareçam tão seguras quanto operações rotineiras, o que distorce toda a alocação de capital da empresa.

Por que juros mais altos mudam o peso desse cálculo?

Quando a taxa básica de juros sobe, o custo da dívida aumenta e o retorno exigido pelos sócios também tende a subir, já que aplicações mais seguras passam a pagar mais. O efeito combinado empurra a taxa mínima de atratividade para cima, tornando mais difícil justificar projetos que antes pareciam atrativos.

Em ciclos de juros elevados, empresas que já têm o hábito de calcular esse custo com rigor decidem com mais clareza sobre o que manter, adiar ou descartar, pontua Pedro Magalhães. Entender o preço real do dinheiro deixa de ser exercício acadêmico e passa a ser o que separa uma decisão financeira sólida de um erro caro.

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